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I Encontro Farmale: Uma conversa sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais com a Dra Giovana Zibetti
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III Encontro Farmale: Ostomia e Doenças Inflamatórias Intestinais
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Ali Jawad, paratleta do halterofilismo com doença de Crohn: Você é uma inspiração para todos nós!
II Encontro Farmale - Diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais: Investigação Endoscópica Palestrante: Dr Flavio Abby
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Transplante de Medula, doença de Crohn e a Lorena Eltz

Certamente vocês já ouviram falar das células-tronco, tema que tem estado constantemente presente não só no meio acadêmico, mas também nos meios de comunicação e na sociedade em geral. Esse assunto desperta o interesse de muitas pessoas, principalmente quando sabemos que a nossa doença pode ficar um tempo bem longo em remissão ou até quem sabe, alcançarmos a cura, uma vida nova, livre das dores, das crises, das medicações e de todo o estresse e medo gerado por uma doença crônica. 

Para começarmos esse papo, quero fazer uma pergunta: vocês sabem o que são células-tronco? O termo células-tronco que já foi um termo puramente científico, hoje já é familiar, mas explicar o que são e para que servem, é um pouco complicado, para compreender todo o processo de um transplante é importante você entender um pouquinho sobre elas e para isso precisamos dispor de um tempo maior do que somente a leitura de notícias. Para tentar facilitar um pouco, escolhi o site do Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias - Rio de Janeiro (LaNCE), link: http://www.lance-ufrj.org, para trazer essas informações para vocês. O LaNCE foi criado para catalisar a pesquisa e desenvolvimento com células-tronco embrionárias humanas (hES) e células de pluripotência induzida ( iPS) no Brasil. É um dos oito Centros de Tecnologia Celular da Rede Nacional de Terapia Celular e possui duas unidades, uma no Rio (ICB – UFRJ) e outra em São Paulo (ICB - USP).

As células-tronco são células indiferenciadas, ou seja, células não especializadas, que podem ser definidas por duas propriedades peculiares: auto-renovação e potencial de diferenciação. A auto-renovação é a capacidade que as células-tronco têm de proliferar, gerando células idênticas à original (outras células-tronco). O potencial de diferenciação é a capacidade que as células-tronco têm de, quando em condições favoráveis, gerar células especializadas e de diferentes tecidos. De acordo com seu potencial de diferenciação, as células-tronco são classificadas em três níveis diferentes: células totipotentes, pluripotentes e multipotentes.

http://www.lance-ufrj.org/ceacutelulas-tronco.html


Células-tronco totipotentes: são o único tipo capaz de originar um organismo completo, uma vez que têm a capacidade de gerar todos os tipos de células e tecidos do corpo, incluindo tecidos embrionários e extra embrionários (como a placenta, por exemplo). Os únicos exemplos de células-tronco totipotentes são o óvulo fecundado (zigoto) e as primeiras células provenientes do zigoto, até a fase de 16 células da mórula inicial (um estágio bem precoce do desenvolvimento embrionário, antes do estágio de blastocisto).

Células-tronco Pluripotentes: têm a capacidade de gerar células dos três folhetos embrionários (tecidos primordiais do estágio inicial do desenvolvimento embrionário, que darão origem a todos os outros tecidos do organismo. São chamados de ectoderma, mesoderma e endoderma). Em oposição às células-tronco totipotentes, as células pluripotentes não podem originar um indivíduo como um todo, porque não conseguem gerar tecidos extra-embrionários. O maior exemplo de células-tronco pluripotentes são as células da massa celular interna do blastocisto, as chamadas células-tronco embrionárias.

Células-tronco de Pluripotência Induzida (iPS): em 2006, um pesquisador japonês (Shinya Yamanaka) desenvolveu uma técnica revolucionária para a produção de células pluripotentes, através da reprogramação genética de células adultas de camundongos e, em 2007, de células humanas. As células são reprogramadas pela adição de quatro genes chamados oct-4, sox-2, Klf-4 e c-Myc, através do uso de vetores virais (vírus modificados que transportam os fatores para dentro da célula a ser reprogramada). A reprogramação pode ser feita com diferentes tipos celulares, mas, em geral, são usadas células da pele. As células derivadas por esse método, chamadas de células-tronco de pluripotência induzida (iPS) são muito similares às células-tronco embrionárias, apresentando as mesmas características de auto-renovação e potencial de diferenciação.

Células-tronco Multipotentes: as células-tronco multipotentes têm a capacidade de gerar um número limitado de células especializadas. Elas são encontradas em quase todo o corpo, sendo capazes de gerar células dos tecidos de que são provenientes. São responsáveis também pela constante renovação celular que ocorre em nossos órgãos. As células da medula óssea, as células-tronco neurais do cérebro, as células do sangue do cordão umbilical e as células mesenquimais são exemplos de células-tronco multipotentes.

Vocês podem encontrar mais imagens e informações no site: http://goo.gl/hrqOh

Sobre o transplante de células-tronco para a doença de Crohn, o tratamento segue iniciando-se com a retirada da medula do paciente, de onde também são retiradas as células que são auto-reativas. Há anticorpos específicos para acabar com as células que só trazem prejuízo ao organismo, os linfócitos, sendo assim, ficam somente as células-tronco precursoras de sangue que são congeladas e guardadas. Em seguida, é feita uma imunossupressão no paciente, em que ele passa por uma fase de transgressão com imunodeficiência. Depois de uma semana, as células que foram congeladas a temperaturas baixíssimas e são colocadas de volta no organismo, por isso vocês encontrarão também o termo autotransplante ou autólogo, sendo assim não há necessidade de um doador. O objetivo é a restauração do sistema imunológico do doente. O transplante é feito em pacientes que não respondem ao tratamento convencional e estão num estágio bem adiantado da sua doença. Fonte: http://www.abcd.org.br/revista/22/rep_capa.htm 

Parece fácil e rápido, certo? Não é mesmo. O autotransplante de medula óssea é um procedimento delicado, cheio de detalhes e arriscado, pois a quimioterapia é tão agressiva que afeta também a medula óssea e sem a medula óssea funcionando, o corpo deixa de produzir plaquetas, as responsáveis pela coagulação sanguínea, glóbulos vermelhos (eles são responsáveis pelo transporte de oxigênio) e glóbulos brancos – as células de defesa do corpo. Com isso o paciente pode ter complicações graves, como queda da imunidade , anemia e risco mais alto de hemorragias. O período de recuperação da medula exige isolamento do paciente, esse é o momento chamado de "pega da medula",  e o isolamento serve para evitar que ele pegue alguma infecção, já que está com o sistema imune extremamente frágil, por tudo isso os pacientes precisam dar o seu consentimento para este tratamento.

Agora, mesmo com alguns termos não muito familiares, acho que fica mais claro o assunto para compreendermos melhor como funciona o autotransplante quando encontrarmos mais notícias sobre o assunto. Eu tenho lido bastante sobre, pois acho uma excelente opção que já tem sido utilizada em outros países, e nessa de ficar pesquisando pelo assunto, encontrei uma menina de 16 anos, cheia de bossa, otimismo e muito comunicativa que está nesse momento internada no Hospital da Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto em São Paulo, para realizar o transplante de medula óssea, uma alternativa para os tratamentos que ela vem fazendo desde que recebeu o diagnóstico da doença de Crohn, aos 7 anos de idade, mas já vinha sofrendo com os sintomas desde os 5 anos. O tratamento é monitorado por duas equipes, uma do Dr. Roberto Luiz Kaiser Jr., Gastroenterologista e outra do Dr. Milton Ruiz, Hematologista.

Lorena está internada desde fevereiro realizando alguns procedimentos, são muitos exames, quimioterapia, reposição de vitaminas, medicações e o tratamento continuará em casa após receber a alta, por isso ela criou uma campanha para angariar fundos inicialmente para essa primeira etapa do tratamento. Lorena mora em Gravataí, no Rio Grande do Sul e terá que retornar durante alguns meses para realizar consultas em São José do Rio Preto para acompanhar a evolução do tratamento e virão novas despesas que incluem medicações, alimentação, hospedagem e passagens aéreas, sendo assim, Lorena precisará também de apoio para o período pós-transplante. 

O link da da campanha é esse: https://goo.gl/PmV7Be e você também pode contribuir via depósito na Caixa Econômica Federal, agência 2284, operação 013, conta 00010969-2. 

https://goo.gl/PmV7Be

Hoje é o aniversário da Lorena, 16 anos! E em breve ela iniciará uma nova vida com saúde para se dedicar aos seus planos! Meu presente para ela é esse texto, desejando muito sucesso com o seu canal no Youtube e mais ainda com o seu tratamento. Vocês podem conhecer mais a história da Lorena e acompanhar a evolução do tratamento pelo seu canal, onde ela mesma também faz a edição dos vídeos. E são muito bacanas mesmo! Além da evolução do tratamento, sempre com muito otimismo, ela também compartilha dicas sobre maquiagem, livros, tecnologia e estilo. Lorena é muito carismática! Vou compartilhar aqui os links para vocês acompanharem tudo. 



Canal no Youtube: https://goo.gl/grWNTa

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