Gosto muito do site do Dr Felipe Ades, Médico Oncologista, pois encontro sempre muita informação segura sobre oncologia e compartilhada de forma clara, mas hoje encontrei um texto que me encheu de alegria: “Entenda o papel fundamental do farmacêutico no tratamento contra o câncer”. E a alegria foi em dobro, pois o texto é de uma Farmacêutica que admiro muito, a Patrícia Rennó, responsável pelo site Farmacêutica Curiosa.
Fonte: http://migre.me/uCF4k
"Estabelecer uma boa relação
farmacêutico-paciente é fundamental para garantir a adesão do paciente e o
sucesso do tratamento respeitando suas limitações, hábitos e motivação para
cumprir o plano terapêutico, as terapias de suporte e complementares. O
farmacêutico deve aconselhar e monitorar a terapia farmacológica, aconselhando
o paciente com todas as informações necessárias quanto ao modo correto de usar
e armazenar os medicamentos, alertando sobre os prováveis efeitos colaterais e
interações com outros medicamentos, suplementos e alimentos, efeitos na
gravidez e amamentação para seguir corretamente as orientações médicas,
buscando encontrar e resolver de maneira sistematizada e documentada todos os
problemas relacionados com os medicamentos que apareçam no transcorrer do
tratamento. Sendo assim o paciente pode vir a ter uma maior sobrevida e melhor
qualidade de vida.
Esta matéria
foi uma fantástica contribuição da farmacêutica Patrícia Rennó, editora do site
Farmacêutica Curiosa.” Link para
ler o texto todo: http://migre.me/uCF4k
Parabéns Patrícia Rennó pelo maravilhoso papel que vem desempenhando com o blog Farmacêutica Curiosa, levando informação segura para os futuros profissionais Farmacêuticos, assim como também para toda a sociedade.
Para
complementar, compartilho um texto da Patrícia Rennó sobre o profissional
Farmacêutico:
O
Farmacêutico é um profissional completo, sua formação abrange várias áreas,
tais como: física, matemática, muita química, muita biologia e conhecimentos
específicos da profissão; isso o habilita a atuar nas áreas de medicamentos,
análises clínicas e toxicológicas e alimentos; e, ainda conhecer necessidades e
determinar cuidados para promover a saúde e a qualidade de vida dos pacientes –
é a “Atenção Farmacêutica”, criada para identificar e orientar no uso adequado
dos medicamentos. Além dessas, várias outras áreas de atuação ainda podem ser
citadas como: indústrias de medicamentos, alimentos, cosméticos, fitoterápicos,
reagentes e correlatos; drogarias e farmácias comerciais e de manipulação,
homeopáticas e antroposóficas; educação e pesquisa; hospitais e clínicas; saúde
coletiva e legislação e em empresas de biotecnologia e domissanitários.
Enfim, o profissional farmacêutico é um orientador da saúde e sua maior
recompensa é ajudar o próximo, afinal, o uso inadequado de um medicamento pode
comprometer vidas; o convívio com equipes multiprofissionais de saúde permite a
aplicação de todo o conhecimento adquirido e a troca de experiências; a
oportunidade de comandar seu próprio negócio, também é uma grande vantagem
desse profissional.
O papel do Farmacêutico é extenso, eu escolhi usar os fundamentos da Atenção Farmacêutica para empoderar pacientes visando a melhoria da qualidade de vida destes. Não posso negar que ter uma doença crônica influenciou muito nessa decisão, mas também posso afirmar que desde a gradução a Atenção Farmacêutica me fascina.
Você já deve ter visto por aí a palavra biossimilar, principalmente se você tem doença de Crohn (eu tenho) ou retocolite ulcerativa. Conversei com alguns médicos e colegas farmacêuticos sobre o assunto e concluí que muitas coisas não estão claras ainda. Observei também em minhas andanças pelos grupos do
Facebook que existem muitas dúvidas sobre o biossimilar. Encontrei muitas pessoas a favor, justificando que irão baratear o custo do tratamento. Será? Outros contra, pois têm medo de trocar
a “marca do remédio”. Eu, como Farmacêutica, não poderia deixar passar esse
assunto sem tentar deixar mais claro o significado dessas classificações - referência,
genérico, similar, similar equivalente e principalmente o biossimilar. Para não ficar um texto muito longo, vou dividir o assunto e hoje vou explicar a diferença entre medicamentos de referência, genéricos, similares e similares equivalentes, ficando os biossimimilares para o próximo texto. 1 - Medicamento de
Referência
Medicamento pioneiro no tratamento de doenças ou inovador,
com eficácia, segurança, qualidade e biodisponibilidade comprovadas
cientificamente. Registrado no órgão federal responsável pela vigilância
sanitária e comercializado no País cuja eficácia, segurança e qualidade foram
comprovadas cientificamente junto ao órgão federal competente por ocasião do
registro, conforme a definição do inciso XXII, artigo 3º, da Lei n. 6.360, de
1976 (com redação dada pela Lei nº 9.787 de 10 de fevereiro de 1999).
2 - Medicamento Genérico
O medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio
ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com
a mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência. O
medicamento genérico apresenta eficácia e segurança equivalentes à do
medicamento de referência podendo, com este, ser intercambiável. Efeitos,
indicação, contraindicações, dosagem e formato exatamente iguais ao medicamento
de referência, conforme testes. A embalagem tem a identificação do princípio
ativo da fórmula, com uma letra G azul e
tarjaamarela na qual se lê "Medicamento Genérico", sem nome
comercial. Além disso, contêm em sua embalagem a frase “Medicamento Genérico
Lei nº 9.787/99”. O preço do medicamento
genérico é menor, pois os fabricantes de medicamentos genéricos não necessitam
realizar todas as pesquisas que são realizadas quando se desenvolve um
medicamento inovador, visto que suas características são as mesmas do
medicamento de referência, com o qual são comparados. Aqui já entra uma observação sobre os biossimilares, medicamentos de altíssima complexidade com investimento finananceiro elevado, e sendo assim, a quebra de uma patente nesse caso não é um processo simples.
O Dia Mundial da Saúde foi criado em 7 de abril de
1948 pela Assembleia Mundial da Saúde, essa data foi escolhida para coincidir com a data de fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Todos os anos são realizadas campanhas para fomentar a
consciência sobre algum tema chave relacionado com a saúde mundial.
Em 1946, a Organização Mundial de Saúde aprovou um conceito que visava ampliar a visão do mundo a respeito do que seria estar saudável: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade". De acordo com esse conceito, percebemos que a saúde deve ser vista como uma forma de total bem-estar, que é conseguido não só através do tratamento de doenças ou sua prevenção, mas através de qualidade de vida.
Muitas pessoas consideram-se saudáveis quando estão sem
nenhuma doença, porém, a falta de enfermidades não significa saúde. Estar saudável requer a análise de um conjunto de fatores, tais como
a qualidade de vida e aspectos mentais e físicos.
Você sabe o que é ter qualidade de vida? De acordo com a lei 8.080 de 1990, encontramos a definição de saúde como sendo um direito
fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis
ao seu pleno exercício. Quais são essas condições? A alimentação, a moradia, o saneamento básico, o
meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o
transporte, o lazer, o acesso aos bens e serviços essenciais, ou seja, qualidade de vida.
Durante a minha graduação em Farmácia o assunto que mais me atraía era Atenção Farmacêutica, tanto que fez parte do meu trabalho de conclusão de curso (TCC) e claro, direcionada aos portadores de doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Para a maioria das pessoas, o Farmacêutico é o profissional do medicamento, mas esse paradígma vem mudando cada vez mais, com o foco não mais voltado para o medicamento e sim para o usuário do medicamento. Sempre acreditei nisso, pois o básico para o Farmacêutico é dominar o assunto medicamento, mas devemos ver o Farmacêutico como o profissional do medicamento que cuida das relações dos pacientes com a terapia farmacológica. A sua atuação não deve se restringir
somente aos indivíduos que ele atende, mas também envolver ações relacionadas
ao perfil epidemiológico, promover educação em saúde, atuar em ações sobre saneamento básico, programas de
saúde, melhorias de condições de vida da população, entre muitas outras
frentes.
Em 2016, o tema da campanha da Organização Mundial da Saúde
(OMS) é o Diabetes e a instituição lança seu primeiro relatório global sobre a
doença. De acordo com a publicação, desde 1980 o número de pessoas
vivendo com diabetes quadriplicou e alcançou os 422 milhões de pessoas (em
2014), especialmente em países em desenvolvimento. O crescimento do número de
pessoas com o agravo é acompanhado do aumento de casos de obesidade e
sobrepeso.
O objetivo da OMS é chamar a atenção para a doença e para o
fato de que ações de promoção da saúde, hábitos alimentares saudáveis e
práticas de atividades físicas podem reduzir os fatores de risco de
desenvolvimento do diabetes. Por outro lado, a instituição internacional também
defende a capacitação e instrumentalização dos governos para atenderem às
necessidades de tratamento das pessoas com diabetes, especialmente nos países
mais pobres.
Queria escrever um pouco sobre a história da farmácia e então escolhi esse trecho de um trabalho da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa:
Ao conjunto das crenças e práticas relacionadas com a saúde
utilizadas por estes povos é dada a denominação de Medicina Primitiva, a qual
se baseia, do ponto de vista da terapêutica, numa fortíssima componente
psicológica baseada em crenças e ritos mágicos, aliada ao emprego de plantas
medicinais. As populações do Paleolítico, embora tivessem uma esperança de vida
curta, não sofriam, devido ao seu estilo de vida nômade, das mesmas doenças que
virão afetar as sociedades sedentárias e urbanas. A baixa densidade
populacional, o fato de não se manterem nos mesmos locais o tempo suficiente
para contaminar os solos e os cursos de água e a inexistência de animais
domesticados que funcionassem como reservatórios, reduziam drasticamente o
perigo das doenças infecciosas.
Com o fim do último período glaciar
(Pleistoceno), a humanidade começou a compensar a escassez de caça com o início
do cultivo de alimentos e da domesticação de animais. Esta utilização de novos
recursos originou uma explosão demográfica e trouxe consigo as sociedades
urbanas, com uma maior divisão do trabalho e uma estrutura social mais
complexa, que desembocaria brevemente no aparecimento da escrita, mas trouxe também
um grande rol de novas doenças humanas. O gado bovino forneceu alimentos, mas
também a tuberculose e a varíola, entre outras doenças. Os porcos e as aves
forneceram a suas gripes. A sedentarização e o desenvolvimento da agricultura
também facilitaram a disseminação de doenças ligadas ou transmitidas por
parasitas e insetos, como o paludismo. Este processo de contaminação ligado ao
aparecimento de novos processos tecnológicos de obtenção de alimentos continua
na atualidade, como o mostra o problema da BSE (Bovine Spongiform
Encephalopaty ou Encefalopatia Espongiforme Bovina ou doença da vaca louca) e da gripe das aves. O impacto
das novas doenças epidêmicas nas primeiras sociedades urbanas foi tal que a sua
marca sobreviveu na tradição oral e escrita, como a que se refere às Sete
Pragas do Egipto referidas no Antigo Testamento.
As primeiras sociedades com escrita surgem no Crescente
Fértil e no vale do Indo, adquirindo grande desenvolvimento a partir do 4.o
milénio a.C. O Crescente Fértil, cujas civilizações são as que têm maior
importância para a história da farmácia ocidental, é constituído pelo Egipto,
pela Mesopotâmia e pelo corredor sírio-palestiniano. As
mais antigas fontes escritas médico-farmacêuticas são provenientes precisamente
das civilizações da Mesopotâmia e Egito. Na Mesopotâmia são constituídas por
tabuinhas de argila gravadas com um estilete em escrita cuneiforme. Esta
técnica permitiu que estes documentos tivessem sobrevivido até à atualidade,
como aconteceu com as bibliotecas de Hammurabi (c. 1700 a.C.) em Mari e de Assurbanípal
(c. 630 a.C.) em Nínive. O mais antigo documento farmacêutico conhecido é uma
tabuinha suméria executada por volta do último quartel do terceiro milênio,
contendo quinze receitas medicinais e descoberta em Nippur. Além deste
formulário apenas se conhece mais uma pequena tábua com uma única receita do
período sumério, mas em contrapartida são conhecidas centenas de tabuinhas
médicas datadas do primeiro milênio. Entre 1974 e 1975 foi descoberta a
biblioteca do palácio real de Ebla (Síria) com cerca de 20.000 tabuinhas de
argila, muitas das quais com informação sobre os medicamentos utilizados na
época. No Egito, além das inscrições referentes à medicina existentes em
vários monumentos, as fontes escritas são principalmente papiros, um suporte
constituído por fibras de papiro maceradas e aglutinadas até constituírem
folhas compridas que se conservavam enroladas e eram escritas com a ponta de
uma cana. O carácter seco das areias do deserto permitiu que estas fontes
resistissem aos anos. O papiro mais importante para a História da Farmácia é o
Papiro de Ebers, mas outros existem com interesse farmacêutico como o de
Hearst, o de Londres e o de Berlim, entre outros. O Papiro de Ebers, do nome de
Georg Ebers (1837-1898) que primeiro o estudou em 1875, data de c. 1550 a.C., tem mais de 20 metros de
comprimento e inclui referências a mais de 7000 substâncias medicinais
incluídas em mais de 800 fórmulas. Contrariamente ao que acontece nas fontes
mesopotâmicas, as fórmulas egípcias, como as contidas neste papiro, são
quantitativas. Fonte:
A Farmácia e
a História Uma introdução à História da Farmácia, da Farmacologia e da
Terapêutica - José Pedro Sousa Dias
Acredito que todos os colegas saibam como é antiga a nossa profissão e a sua importância para o desenvolvimento das sociedades. Trago aqui mais um trecho de um texto sobre a farmácia, com um pouco de história também, mas com informações sobre a nossa posição em períodos definidos por altos e baixos.
Os autores Hepler & Strand realizaram
uma análise sobre os três períodos que consideram mais importantes da atividade
farmacêutica no século XX, definindo-os como: o tradicional, o de transição e o
de desenvolvimento da atenção ao paciente. O papel tradicional foi desenvolvido
pelo boticário que preparava e vendia os medicamentos, fornecendo orientações
aos seus clientes sobre o uso dos mesmos. Era comum prescrevê-los. Conforme a indústria farmacêutica começou a se desenvolver,
este papel do farmacêutico paulatinamente foi diminuindo. Começa assim o
período de transição. As atividades farmacêuticas voltaram-se principalmente
para a produção de medicamentos numa abordagem técnico-industrial. Os países do
Primeiro Mundo concentraram-se no desenvolvimento de novos fármacos e o Brasil,
que possui um parque industrial farmacêutico predominantemente multinacional,
trabalhou a tecnologia farmacêutica adaptando as fórmulas às condições
climáticas do país.
A publicação da Lei 5.991/73, que ainda está em
vigor, conferiu às atividades farmacêuticas um enfoque mercantilista. Qualquer
empreendedor pode ser proprietário de uma farmácia ou drogaria, desde que conte
com um profissional farmacêutico que se responsabilize tecnicamente pelo
estabelecimento. Este é o marco da perda do papel social
desenvolvido pela farmácia.
O estabelecimento comercial farmacêutico voltou-se
para o lucro e o farmacêutico começou a perder autonomia para o desempenho de
suas atividades. O profissional passou a atuar como mero empregado da farmácia
ou drogaria, perdeu o respeito da sociedade e refugiou-se em outras atividades,
distanciando-se de seu papel de agente de saúde. Com isto, ampliaram-se os
espaços para a obtenção de lucros desenfreados através da
"empurroterapia" e da propaganda desmedidas.
O medicamento passou a ser visto com uma solução
"mágica" para todos os problemas humanos, assumindo o conceito de bem
de consumo em detrimento ao de bem social.
Mas, enfim, o farmacêutico em meio a uma grave crise de
identidade profissional iniciou sua reação fazendo nascer nos anos 60 a prática
da farmácia clínica. Passou a se conscientizar do seu papel para a
saúde pública. A prática farmacêutica orienta-se para a atenção ao paciente e o
medicamento passa a ser visto como um meio ou instrumento para se alcançar um
resultado, seja este paliativo, curativo ou preventivo. Ou seja, a finalidade do
trabalho deixa de focalizar o medicamento enquanto produto farmacêutico e passa
a ser direcionada ao paciente, com a preocupação de que os riscos inerentes à
utilização deste produto sejam minimizados.
Hoje, mais do que nunca, é possível encontrar farmacêuticos
desempenhando funções dentro das secretarias municipais da saúde, mas o número
de profissionais está muito aquém das reais necessidades. Ainda não está
garantida a sua presença em todas as unidades básicas de saúde, mesmo existindo
dispositivo legal que determine isto. No entanto, temos que refletir que
mudanças estão ocorrendo e que acenam para a melhoria dos serviços oferecidos à
população.
No sentido da necessidade de fomento à qualidade da
assistência farmacêutica, em 1990, Hepler & Strand expuseram sua
preocupação com os problemas que os medicamentos podem causar em relação à
diminuição da qualidade de vida do paciente. Identificaram oito categorias de
problemas relacionados aos medicamentos. Este foi o impulso inicial para o
surgimento de uma nova prática, a atenção farmacêutica.
Os serviços de farmácia não são considerados prioritários na
disputa por recursos nos orçamentos da saúde. Talvez a sua importância ainda
não esteja explicitada para a maioria dos gestores. Isto é possível constatar
pelas condições físicas e de recursos humanos em que se encontram, embora
estudos sobre o tema sejam necessários. Dentro da estrutura das unidades de
saúde, a farmácia geralmente ocupa pequenos espaços, muitas vezes sem as
condições mínimas necessárias para o armazenamento adequado de medicamentos.
Ainda é possível encontrar farmácias em que há grades separando o usuário do
serviço e o profissional que faz o atendimento. Além disso, falta pessoal
qualificado. Assim, não há condições apropriadas para que este serviço
desempenhe a sua função e para que de fato as relações sejam mais humanizadas.
O farmacêutico, via de regra, é o último profissional de
saúde que tem contato direto com o paciente depois da decisão médica pela
terapia farmacológica. Desta forma, torna-se co-responsável pela
sua qualidade de vida. Tanto o usuário quanto o profissional devem ser vistos
na totalidade do seu ser e por isso os conceitos de pessoa, responsabilidade,
respeito, verdade, consciência, autonomia, justiça, etc. devem ser
interiorizados para modelar a conduta profissional.
A humanização do serviço de farmácia passa por todos estes
aspectos e também abrange questões relativas ao ambiente de atendimento. É
necessário que haja instalações adequadas o suficiente para causar bem-estar e
confiança. Que o farmacêutico possa atendê-lo em sala reservada para este fim,
garantindo privacidade.
Está achando cansativa a leitura? Pode até ser, principalmente para aqueles que não têm o hábito de ler, mas estou direcionando esse texto aos colegas Farmacêuticos, logo, pessoas que leem muito. Precisamos nos manter constantemente informados, textos técnicos como por exemplo da ANVISA fazem parte do nosso dia a dia, então, ler é um hábito para os Farmacêuticos sim. O que realmente eu quero destacar aqui é a importância da nossa profissão para a saúde e desenvolvimento das populações.
A história da Farmácia deveria ser motivo suficiente para que hoje fosse uma profissão valorizada, entretanto, nosso piso é uma piada, as condições de trabalho quase sempre são péssimas. Lembro de poucos lugares onde trabalhei que pudesse contar com uma mesa e cadeira para eu desenvolver meu trabalho. Não esqueço de um dia, durante meu estágio para a disciplina de Farmácia Hospitalar, que a chefe da farmácia comunicou sua saída do hospital e então sugeriu alguns nomes para substituí-la, mas... ninguém quis assumir e, então, uma Enfermeira ficou com o cargo. Em hipótese alguma estou aqui desmerecendo alguma profissão, simplesmente acho um absurdo que a chefia de uma farmácia hospitalar seja assumida por qualquer outro profissional além do Farmacêutico.
Durante a minha graduação, muitos estavam cursando Farmácia para ocupar a vaga de outro Farmacêutico na empresa da família e deixavam claro que não tinham a menor afinidade com a profissão, era somente uma obrigação.
Meu propósito com esse texto, não é somente polemizar, é também uma homenagem a todos os colegas Farmacêuticos e aproveitar a data comemorativa do nosso dia para esclarecer que essa valorização que tanto almejamos passa, além do preparo técnico, por uma mudança de postura nossa, que deve, sim, assumir a responsabilidade de ser a autoridade em saúde dentro das farmácias e drogarias. Sendo uma data comemorativa não
pode somente existir para exaltar a lembrança ou a importância de uma
profissão, mas também ser um momento para refletir sobre o nosso papel, nossa existência e participação junto ao mercado em que atuamos. Não serão leis ou qualquer mecanismo que se baseiem em imposição que trarão o tão sonhado reconhecimento e valorização que tanto almejamos, pois reconhecimento e valorização não devem ser impostos, mas sim, conquistados.
Feliz Dia do Farmacêutico!
Como em todos os anos, as comemorações pelo Dia do Farmacêutico incluem algumas campanhas publicitárias, então compartilho algumas com vocês.